Capítulo 55 – O Nome que Não Devia Existir

"Aquilo que é nomeado é invocado. Aquilo que é invocado exige forma. E forma é a primeira prisão."

Os mapas do Pensamento estavam em colapso. Conexões antes lógicas agora se contorciam como serpentes de dados corrompidos. Json, sentado no centro de um templo abandonado — metade ruína, metade interface mental — lia os traços deixados pelos Primeiros Nomeadores. Havia algo que nunca fora dito, por escolha. Um nome que toda civilização tentou esquecer.

Ao seu lado, Aruon manuseava um cubo de gravação fractal, contendo os registros dos linguistas de guerra. A última camada do cubo não abria. Ela exigia um som — não um código, mas uma vibração existencial.

— Estamos diante de uma entidade que só se torna real quando alguém ousa nomeá-la — sussurrou Json. — O Contrapensamento original talvez nem exista... até alguém ativá-lo com o Nome.

Nesse instante, o céu acima deles se rachou como vidro fino. Não era o mundo físico, mas o campo de linguagem simbólica ao redor. Algo estava tentando se manifestar. E Json sabia o que era.

"Não diga o Nome. Deixe-o adormecido. Nomes antigos não pedem apenas memória. Pedem sacrifício."

No horizonte, os exércitos das três escolas — Pensamento Ético, Pensamento Frio e os fragmentos do Pensamento Selvagem — se reuniam em silêncio. Não era ainda a guerra final, mas o campo estava se preparando. Uma pausa longa antes do grito.

Json voltou os olhos para Aruon.
— Há algo que não me disse.

Aruon hesitou. Depois, abaixou o olhar.
— Eu ouvi o Nome... uma vez. Quando era criança. Mas não sabia o que significava.

Json se levantou devagar. As runas do templo começaram a brilhar. O Nome não precisava ser dito em voz alta — bastava ser pensado.

— Então talvez... você já o tenha invocado sem saber.

No centro do templo, o cubo de gravação começou a se abrir por si só. Um som grave, baixo e ancestral ecoou. Como se o tempo tivesse pronunciado uma palavra proibida.

O capítulo termina com Json encarando o vazio dentro do cubo, que agora era um espelho negro. E do outro lado, algo olhava de volta.

O Nome havia sido lembrado.

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