“Antes da palavra, havia o Silêncio. E antes do Silêncio... havia o Desejo de não ser.”
Json viajou com Lambda até o Círculo Cego — uma antiga estação de escuta abandonada, hoje reativada como sede de um culto niiloético. Lá, encontraram os chamados Profetas do Silêncio: não pregavam, não escreviam. Apenas se sentavam, em posições geométricas precisas, com as bocas costuradas por fios de luz.
Um deles, ao perceber a presença de Json, apenas abriu um cilindro de vidro com símbolos escritos em negativo — traçados não pela tinta, mas pela ausência dela. Lambda leu:
“A linguagem é a primeira prisão. A mente é a segunda. Estamos aqui para desfazê-las.”
Json compreendeu. Não era um inimigo tradicional. Não queriam poder, território ou redenção. Queriam desaparecer com a própria condição de ser.
Thayan — agora Um — reapareceu nesse momento. Não com o rosto que Json conhecia, mas com a face coberta por uma máscara translúcida. Falava com a mente.
— Eles não são loucos. São coerentes. O Contrapensamento foi uma negação da criação. O Niiloético é a negação do próprio conflito. São o fim da dialética.
— Então o que resta a nós? — perguntou Json.
— A reinvenção do pensamento.
Os dados do Círculo Cego revelavam uma antiga verdade esquecida: a linguagem não foi criada — foi despertada. Um código, gravado na estrutura do universo, existia antes mesmo da matéria. E o silêncio... era sua contraparte.
Json retornou ao laboratório com Lambda. A guerra se aproximava, mas não seria apenas entre palavras e armas. Seria entre formas de existência.
“Quando o pensamento se apaga, o mundo segue?”
“Ou se curva com ele?”