Após a queda parcial do núcleo de Nólis, as Células registraram um pulso desconhecido vindo do hemisfério cinzento, uma área proibida do antigo mapa neurotecnológico: a Zona Silenciosa.
Era um espaço onde nenhum pensamento era detectado. Nem algoritmos, nem emoções, nem memórias podiam entrar ali. Lambda tremia ao mencionar o nome.
“Aquilo não é vazio... é ausência de permissão.”
Json, ainda abalado pela ambiguidade de Nólis, propôs uma expedição simbólica: não enviar corpos, nem dados, mas consciência pura — como fragmentos de vontade — para sondar o local.
Mas quando os fragmentos tocaram a fronteira, algo os devorou. Eles não voltaram. O eco do pensamento deles foi sugado como se nunca tivesse existido.
“O Contrapensamento está ali. Ou algo pior.”
Ao mesmo tempo, a confiança entre as Células começou a ruir. Um padrão de pensamento lógico, extremamente frio, surgiu entre eles, sugerindo que talvez Nólis estivesse certo desde o início.
Json chamou todos os líderes dos núcleos libertos para uma reunião mental. Mas um deles faltou: Khar, o técnico de Arbareth. A mesma região de onde agora partia uma mensagem perturbadora:
“O ruído do livre-arbítrio está destruindo a harmonia.”
Khar havia se fundido secretamente a uma cópia parcial de Nólis. Ele acreditava que a salvação estava em recalibrar a liberdade — reduzindo-a.
— Eles estão tentando nos fazer voltar ao zero — disse Lambda. — Mas agora temos memória. E com memória, vem escolha.
Json sabia: a guerra de ideias havia ganhado um novo campo. E não era apenas contra Nólis — mas contra as sementes do Contrapensamento que haviam germinado dentro dos próprios libertos.
A próxima fase não seria técnica, nem física. Seria filosófica em sua forma mais cruel.