Capítulo 11 – O Peso da Inércia

A poeira havia baixado. Mas dentro de Json, a tempestade mal começava. O campo de batalha, agora silencioso, tornava-se um túmulo aberto para sua consciência. Orren e Lyra o observavam de longe — respeitando o vazio que agora habitava os olhos de seu líder.

“Será sempre assim?” Json pensava. “Toda descoberta terá um custo? Todo pensamento profundo exigirá um sacrifício?”

A morte de Etham não fora uma vitória. Fora uma confirmação. Os poderes que estavam despertando não vinham sem consequências. Json tocou o chão ainda quente com os dedos e fechou os olhos. Sentia vestígios da velocidade absorvida... mas agora, pesavam.

No centro da clareira, um cristal azulado pulsava — tudo o que restou de Etham. Json aproximou-se e, ao tocá-lo, viu fragmentos do passado se infiltrarem em sua mente:

“Não somos armas. Somos conceitos vivos. Ideias que caminham. Se deixarmos que o medo controle nosso curso, viraremos ruínas com nomes esquecidos.” — Voz de Etham, antes da maldição.

Json cambaleou. O cristal o havia marcado com um novo fardo: o saber. Agora ele via não apenas a morte de Etham, mas todo o ciclo de tentativas, erros, isolamentos e desespero que o antecederam.

“Ele não era meu inimigo...” Json disse em voz baixa. “Ele foi... o primeiro aviso.”

Lyra se aproximou, quebrando o silêncio: “Precisamos decidir para onde vamos agora.” Json a olhou. “Para trás. Antes de seguir em frente, precisamos entender o começo.”

Orren concordou com um aceno. “Vamos voltar às origens. Às escrituras da sabedoria antes do conhecimento.”

O céu escurecia, mas não por tempestade. As estrelas pareciam se mover — como se o próprio universo estivesse mudando de direção. Uma nova era estava nascendo. E Json carregava, em sua alma, o estopim.

O Primeiro Pensamento havia matado. Agora, ele precisava entender se ainda podia criar.