Capítulo 66 – A Reconstrução do Pensamento

"Quando os pensamentos se quebram, só resta reconstruí-los com novas verdades."

Os campos de batalha haviam silenciado. Havia ainda focos de resistência, mas o mundo já não queimava como antes. Json caminhava entre ruínas — não apenas ruínas físicas, mas ideológicas. Cidades onde o Contrapensamento dominava agora tentavam reestruturar suas escolas, seus rituais e suas linguagens.

Ao seu lado, Nanda recolhia fragmentos de textos, sons antigos e memórias. O que ela perdera no tempo do desaparecimento retornava agora como flashes: imagens de uma caverna onde vozes sussurravam sabedorias e maldições. Ela ainda não contara tudo a Json.

Em câmaras esquecidas, dois seres despertavam: Raqt e Shem. Entidades do tempo da Criação, seladas quando o mundo ainda era pensamento puro. Eles não tinham forma física, mas surgiam como ideias: filosofias virais, doutrinas sem autor, comportamentos coletivos que se espalhavam como reflexos distorcidos.

Era o início da guerra dos reflexos.

Json propôs então algo inédito: o Concílio dos Restos, reunindo antigos inimigos para reconstruir o mapa dos Saberes. Nanda o ajudaria, inspirando o Tratado das Águas Mistas — uma tentativa de conciliar ciência, fé e ética como rios que deságuam num mesmo oceano.

Mas as ameaças não haviam cessado. Raqt infiltrava-se nos sonhos dos jovens pensadores, enquanto Shem observava silenciosamente do abismo. Um novo ciclo se aproximava.

“Ideias não morrem. Elas se disfarçam e retornam.”

O mundo respirava, mas não em paz. A reconstrução era apenas a pausa antes da próxima queda. E no fundo de sua mente, Json sabia que o verdadeiro inimigo ainda não mostrara seu rosto.

Ainda havia muito a ser revelado. E o pensamento — sempre o pensamento — precisaria evoluir para sobreviver.

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