O mundo tremia sob um novo tipo de tensão. Não se tratava de guerras por território, mas por modelos de realidade. Os que despertaram por Json desejavam restaurar a harmonia entre as leis e a vida. Já os que seguiram Korzar, viam o universo como matéria-prima a ser dominada.
O primeiro confronto aconteceu num vale isolado, onde campos eletromagnéticos cruzavam a crosta terrestre, tornando o ar carregado de vibrações quânticas. Lá, dois grupos se encontraram.
De um lado, Lya Norr, envolta em uma armadura viva formada por tecidos vegetais modificados geneticamente, manipulava o crescimento acelerado de raízes para prender os adversários. Do outro, Harken Dez, um ex-físico nuclear, criava zonas de instabilidade gravitacional para distorcer espaço-tempo em microsegmentos.
Json não lutou. Ele observou. E sentiu algo que nunca havia experimentado: as leis, por um momento, reagiam à dor humana. Era como se a consciência coletiva influenciasse a resistência do universo à manipulação.
No meio do conflito, surgiu um novo personagem: Orien Vael, um antigo linguista que falava a língua dos números primordiais. Com sua voz, reverteu fórmulas em seus estados iniciais, desarmando ambos os lados temporariamente.
Json se aproximou dele. Orien, com olhos marcados pelo tempo, disse:
Naquele instante, Json compreendeu que os poderes precisavam ser ensinados. Não bastava despertar — era necessário educar, orientar, preservar.
Mas Korzar não tinha essa intenção. E enquanto Json começava a reunir os seus para formar um novo tipo de ordem — baseada em sabedoria e não em supremacia —, Korzar já marchava com os seus pelo sul da planície energética conhecida como O Véu Cinzento.
O conflito só havia começado. E o mundo, agora, precisava escolher entre dois destinos: evolução com equilíbrio… ou poder sem consciência.